The first 1500 km – Os primeiros 1500 km

bandeira portugal

Estamos nos 1500 km!

Depois de sair de Santiago o caminho tem sido em permanência com imensos peregrinos quase todos eles em sentido contrário ao nosso; apenas a jovem e sempre sorridente Amaia vai para o mesmo lado que nós na sua bicicleta azul holandesa, por cima da roda da frente leva uma caixa da fruta onde, além de outras coisas, transporta o seu inseparável amigo Fil, o elefante de peluche. A bicicleta da Amaia é uma pura citadina, com umas rodas enormes, um quadro de senhora elegante e um guiador tipo chouper sem nenhuma manéte, pois não tem mudanças nem travões, este funciona rodando os pedais para trás. Rolámos algum tempo juntos, mas o nosso caminho ainda está no início e temos destinos diferentes, mas sabemos que a Amaia está muito perto de estar segura em casa!

Mas não foi apenas a Amaia com quem nos cruzámos nestes últimos 1500 km. Todos os dias conhecemos pessoas diferentes, com alguns cruzámos apenas um “buen camino!”, tantas vezes a grande velocidade nas descidas onde a tandem ganha todas as suas forças, outras vezes de forma mais calma dando dois dedos de conversa a quem muitas vezes viaja sozinho durante longos quilómetros. Há uns dias atrás encontrámos um casal, talvez com 70 anos, eram dos Estados Unidos, viajavam há seis meses a pé e já tinham seis mil quilómetros percorridos…e depois há quem nos ache tolos!!! E no outro dia, depois de um jantar à mesa com um pequeno grupo em que todos apenas nos conhecemos ali, foi muito agradável receber o convite da simpática Erika para irmos a sua casa quando mais tarde passarmos no Tirol Italiano. Toda esta massa de gente que se desloca por este caminho tem uma busca de algo com que se quer encontrar.

Curiosamente, durante estes 1500 quilómetros iniciais, conhecemos um local fabuloso, já na Cantábria, mais concretamente em Güemes. Foi num dia terrível de chuva, a estrada era secundária e em asfalto que agora estava molhado e formava poças aqui e ali, tinha muitas curvas e tudo à volta era de um verde escuro carregado brilhante, com as montanhas acinzentadas em todo o horizonte, os castanheiros e as nogueiras abeiravam as bermas. Terminámos o nosso dia já gastos, a dar tudo que tínhamos nos últimos trezentos metros de subida que mais parecia a minha rua. Encontrámos um local fabuloso, o Albergue do Padre Ernesto, com quem falámos mal metemos os pés no chão. Era um homem com alguma idade, não muito alto, de cabelo e barba esbranquiçada e com óculos tipo pai natal. Neste momento ainda não sabíamos quem era, mas transmitiu muita tranquilidade e acolhimento. Um dia destes voltarei a falar dele e um dia mais tarde voltarei lá, para conhecer o Santuário no alto da montanha de que nos falou.

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100km away from Fatima – a 100km de Fátima
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Having dinner and our “beds” on the back – A jantar com as nossas “camas” ao fundo
New friends from Australia – Novas amigas da Australia

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In Vila do Conde – Em Vila do Conde
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Cooking in what used to be a Convent – A cozinhar num antigo Convento
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Ponte Vedra
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In the Natural Park of Barosa, a place that Ara and Oscar that we met in Ponte Vedra told us about – No Parque Natural de Barosa, que a Ara e o Óscar que conhecemos em Ponte Vedra nos falaram
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Entering Spain – A entrar em Espanha

 

 

Place used to dry cereals such as corn cobs – Espigueiro utilizado para secar cereais como por exemplo as espigas de milho

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Lunch time – Pausa para almoço

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Put an “u” on the “i” and we arrived! – Troca-se o “i” por um “u” e já chegámos!

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Santander’s Cathedral – Catedral de Santander

 

 

 

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1000 km!
Fixing a tire hole – A arranjar um furo no pneu

 

inglaterra bandera

We reached 1500 km!

After leaving Santiago the way has been of permanently crossing with other pilgrims, all of them going the opposite way of us; only young and smiling Amaia was going the same way as us, on her Dutch blue bike, with a fruit box in the front where she carries, amongst other things, her inseparable friend Fil, a teddy elephant. Amaia’s bike is a pure city bike, with big wheels, an elegant frame and an handlebar like a chouper without lever, as it has no changes or brakes (to stop the bike she just needs to cycle with the pedals back). We cycled together for some days, but our trip is just in the beginning and our destinations are different, but we know Amaia is almost safe at home!

But Amaia wasn’t the only person we met during these 1500 km. Every day we meet new people, with some of them we just share a “buen camino!” (“good way”), sometimes going fast downhill other times with more time, having a chat with those travelling alone for so many kilometers. A few days ago we found a couple that, maybe in their 70s, were from United States and were walking for six months, having walked almost six thousand kilometers… and then people call us crazy!! And the other day, after a dinner on the table with a group of people we met in the pilgrims hostel, it was very nice to get an invitation from Erika to visit her in her place in Italian Tirol. All these people on the Way of Saint James is walking to find something.

Curiously, during these first 1500 km, we found an amazing place, in Cantabria, specifically in Güemes. It was on a terrible day with constant pouring rain, the secondary road where we were cycling was wet and with puddles everywhere, it was a road full of curves and everything around was dark green and shiny because of the water, with the grey mountains on the horizon, the chestnuts and the walnut trees were all over the roadsides. We finished our day feeling very tired, and we had to give our best to go up the last 300m of a very inclined road. We found an amazing place, the pilgrims hostel of Padre Ernesto, with whom we spoke in the moment our feet touched the ground. He was a man with a lot of experience, not very tall, with white hair and beard and glasses like Santa Claus.

By then, we didn’t know who he was, but he was very calm and welcoming. One of these days I will talk about him again and I will go back to his place, to know the Sanctuary on the top of the mountain he told us about.

 

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